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sábado, 25 de abril de 2015
LUIZ FERNANDO BOTTURA -FOLHA DE SÃO PAULO 205
FOLHA DE SÃO PAULO
Coworkings' se concentram em empresas e mudam cobrança
ANDRÉ CABETTE FÁBIO
DE SÃO PAULO
23/11/2014 02h00
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Planejados inicialmente para profissionais autônomos, os "coworkings" (escritórios compartilhados) estão mudando no Brasil. Hoje, esses espaços, nos quais se aluga uma baia em vez de um escritório inteiro, têm sido adotados também por empresas. O modelo de cobrança por horas também perde espaço para a contratação por mês.
Nesses locais, os gastos e os problemas com manutenção, internet e secretária estão embutidos no aluguel.
Conceito de escritório coletivo ganha versão para cozinha em SP
"Quando você tem um espaço, se acaba o papel higiênico, isso vira prioridade máxima. Você tem que se preocupar com coisas que não são importantes para o seu negócio", conta o empresário Rogério Nogueira.
Ele comanda 12 funcionários, mas a maior parte trabalha em casa. De três a cinco usam o coworking e gastam um pacote de horas pré-pago. Mesmo nos meses em que a equipe estoura a quota, o valor fica abaixo de R$ 3.000. Ele calcula em R$ 10 mil os gastos que teria com um escritório tradicional.
Esse também foi o atrativo do coworking para Luciano Machado, um dos sócios da MMF Projetos. Ele aluga um escritório na Avenida Paulista da rede GoWork, que tem oito espaços em São Paulo.
A empresa trabalha com seis pessoas em média, mas o número aumenta de acordo com os projetos e já chegou a 14 pessoas.
"Quando o cliente vem, colocamos o logo da MMF na TV de LED da recepção. Fica a impressão de que o espaço é todo nosso", diz. O aluguel de uma sala fechada custa R$ 800 por pessoa. As baias, que ficam em espaços compartilhados, saem por R$ 700 por pessoa.
De acordo com o presidente da GoWork, Fernando Bottura, as empresas respondem por 15% das 1.200 pessoas que alugam espaços na rede. "Damos desconto para que os contratos sejam de três meses. Assim tenho um fluxo de caixa maior", diz.
Raquel Cunha/Folhapress
Fernando Bottura, presidente e fundador da GoWork, um espaço de coworking
O designer Fernando Aguirre é responsável pelo site Coworking Brasil, que cataloga espaços do tipo no país. Ele afirma que o uso de períodos maiores de aluguel, em vez do modelo de cobrança por dia, tem crescido. "Quando faço coworking em viagens, não gosto de ter um reloginho me dizendo que preciso escrever um e-mail em 15 minutos", afirma.
Ele é um dos donos do Coletivo 202 em Porto Alegre e afirma que o espaço abandonou recentemente o modelo de aluguel por dia, adotado desde 2011. Hoje há planos mensais com desconto para períodos maiores.
O modelo de negócios também tem mudado. Os donos de uma das iniciativas mais antigas no Brasil, a Pto de Contato, uniram-se a mais seis sócios e abriram o Distrito. "Prestamos consultoria de marketing e negócios e ajudamos as empresas do 'coworking' a terem contato com investidores", diz Bernardo Noronha, presidente do espaço, que promove palestras.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
FERNANDO BOTTURA VERDADES
Consumo sustentável
O consumidor precisa saber se está pagando mais caro por causa da marca ou do processo produtivo diferenciado.
Avaliar a compra de um produto sustentável vai além da comparação pura de preços. Para ser verde, é preciso ter a certeza de estar investindo no futuro. Engajar-se à causa da sustentabilidade pode melhorar a saúde, preservar o meio ambiente e promover a distribuição justa de renda. O problema está em adaptar o consumo e o bolso. A diferença de preço entre os produtos tradicionais e os fabricantes de forma sustentável varia de 15 a 200%, segundo o instituto Realice, uma organização sem fins lucrativos que atua com projetos sociais. Entre as iniciativas da entidade, está a rede de vendas diretas Asta, criada para promover a distribuição de produtos sustentáveis nos segmentos de moda, decoração e utilidades domésticas. “AS revendedoras são as únicas intermediárias e a remuneração delas está explícita no catálogo”, afirma Alice Freitas, do Realice.
Para ela, existe um erro muito comum nos projetos: a preocupação ambiental virou um jargão comercial para atrair os consumidores das classes A e B, o que acabou por tornar os produtos sustentáveis inacessíveis para 99% dos brasileiros. “É mais caro por causa do meio de produção, que respeita o meio ambiente e as pessoas. Mas não pode ser inacessível” .Esta é a nova luta dos engajados: pulverizar o consumo consciente.
A pauta é extensa e passa pela acessibilidade e pela informação. Afinal, não adianta consumir alface orgânica se o produto utiliza mão de obra infantil ou sustenta uma malha de subempregos. Consumir, aliás, ganha uma nova conotação na vida verde, sendo necessário diferenciar a necessidade da vontade. O mais difícil em seguir os preceitos sustentáveis está na educação. Ser sustentável quer dizer buscar qualidade e não quantidade. Quando o assunto é produção ecológica, a remuneração é centrada no valor do trabalho e na herança que o modelo deixa. Portanto, a idéia é consumir menos.
Alguns modelos de negócios provam que a sustentabilidade tem futuro e o preço do produto sustentável pode chegar próximo do tradicional. A boa notícia vem do segmento de móveis. A cultura dos produtores mudou por causa de medidas adotadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O controle sobre o desmatamento, que ainda é um problema enfrentado pelo Brasil, aumentou e os grandes produtores de móveis tiveram de aprender a trabalhar com madeira de reflorestamento, ou MDF, como é conhecida. “O Ibama controla a procedência da madeira. Ficou mais prático comprar o MDF” avisa Fernando Bottura, diretor comercial da Riccó. Com o aumento da demanda pelo MDF, o preço se equiparou no mercado. “Se alguém cobrar mais com o argumento de que é madeira de reflorestamento, desconfie. Hoje é mais caro fazer móveis com madeira de lei”, afirma.
Preço x Benefício
É claro que essa equação vale em empresas estabelecidas no mercado formal, que cumprem a legislação ambiental e compram um grande volume. O problema do segmento de móveis ainda está na informalidade e na pulverização. “Empresas pequenas nem sempre sabem a procedência da madeira que compram. Vão pelo preço. Por isso, a participação do consumidor é importante”, comenta Bottura. Na dúvida, vale pedir o certificado.
Esperançoso sobre o avanço dos produtos sustentáveis, Bottura utiliza o próprio exemplo da cadeia moveleira, que ganhou muito dinheiro com base em desmatamento. “Hoje, enxergamos que é preciso preservar a floresta, replantar e dar sustentabilidade aos negócios. Somos um exemplo prático de que é possível mudar de atitude e manter os negócios lucrativos”, afirma.
Ele conta que a consciência ambiental está hoje entranhada na Riccó. Como investimento, ele trocou todo o telhado de sua fábrica por telhas ecológicas, pelas quais pagou 50% a mais. No seu caso, as novas telhas transparentes, reduziram o consumo de energia em 30%, tornaram o ambiente mais agradável e trouxeram um impacto positivo sobre a produtividade. “Pensar consciente é fazer a conta dos benefícios”, ensina.
Essa conta é o que move a indústria de telhados ecológicos. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, o custo inicial de coberturas ecológicas pode ser até 6,4 vezes maior do que os telhados convencionais, mas os benefícios ambientais e econômicos fazem o investimento valer a pena.
A diferença de preço está na necessidade de fazer uma revisão da estrutura dos telhados para propiciar a instalação de verdadeiros jardins na cobertura das casas. Os telhados ecológicos duram até duas vezes mais do que os tradicionais, uma vez que criam uma camada de proteção à radiação, isolando a estrutura dos efeitos de desgastes do sol. As plantas também propiciam o controle da temperatura, reduzindo os gastos de energia nos sistemas de ar condicionados. De acordo com um recente estudo canadense, divulgado pela Professional Roofing, a redução nos custos com a energia elétrica durante o verão pode chegar a 75%.
Segmento como o de móveis e construção tem de tudo para mudar a mentalidade em relação à sustentabilidade e educar o consumidor sobre o retorno do investimento. “A reutilização de material também é uma proposta desses segmentos. Nas construções de casas e móveis, é possível reciclar os resíduos”, comenta. Para complementar o segmento de construção, a indústria de móveis também aposta em projetos capazes de refletir mais luz, aproveitar espaços e gerar a economia de energia dentro de casa. Tudo é questão de pensar verde
O consumidor precisa saber se está pagando mais caro por causa da marca ou do processo produtivo diferenciado.
Avaliar a compra de um produto sustentável vai além da comparação pura de preços. Para ser verde, é preciso ter a certeza de estar investindo no futuro. Engajar-se à causa da sustentabilidade pode melhorar a saúde, preservar o meio ambiente e promover a distribuição justa de renda. O problema está em adaptar o consumo e o bolso. A diferença de preço entre os produtos tradicionais e os fabricantes de forma sustentável varia de 15 a 200%, segundo o instituto Realice, uma organização sem fins lucrativos que atua com projetos sociais. Entre as iniciativas da entidade, está a rede de vendas diretas Asta, criada para promover a distribuição de produtos sustentáveis nos segmentos de moda, decoração e utilidades domésticas. “AS revendedoras são as únicas intermediárias e a remuneração delas está explícita no catálogo”, afirma Alice Freitas, do Realice.
Para ela, existe um erro muito comum nos projetos: a preocupação ambiental virou um jargão comercial para atrair os consumidores das classes A e B, o que acabou por tornar os produtos sustentáveis inacessíveis para 99% dos brasileiros. “É mais caro por causa do meio de produção, que respeita o meio ambiente e as pessoas. Mas não pode ser inacessível” .Esta é a nova luta dos engajados: pulverizar o consumo consciente.
A pauta é extensa e passa pela acessibilidade e pela informação. Afinal, não adianta consumir alface orgânica se o produto utiliza mão de obra infantil ou sustenta uma malha de subempregos. Consumir, aliás, ganha uma nova conotação na vida verde, sendo necessário diferenciar a necessidade da vontade. O mais difícil em seguir os preceitos sustentáveis está na educação. Ser sustentável quer dizer buscar qualidade e não quantidade. Quando o assunto é produção ecológica, a remuneração é centrada no valor do trabalho e na herança que o modelo deixa. Portanto, a idéia é consumir menos.
Alguns modelos de negócios provam que a sustentabilidade tem futuro e o preço do produto sustentável pode chegar próximo do tradicional. A boa notícia vem do segmento de móveis. A cultura dos produtores mudou por causa de medidas adotadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O controle sobre o desmatamento, que ainda é um problema enfrentado pelo Brasil, aumentou e os grandes produtores de móveis tiveram de aprender a trabalhar com madeira de reflorestamento, ou MDF, como é conhecida. “O Ibama controla a procedência da madeira. Ficou mais prático comprar o MDF” avisa Fernando Bottura, diretor comercial da Riccó. Com o aumento da demanda pelo MDF, o preço se equiparou no mercado. “Se alguém cobrar mais com o argumento de que é madeira de reflorestamento, desconfie. Hoje é mais caro fazer móveis com madeira de lei”, afirma.
Preço x Benefício
É claro que essa equação vale em empresas estabelecidas no mercado formal, que cumprem a legislação ambiental e compram um grande volume. O problema do segmento de móveis ainda está na informalidade e na pulverização. “Empresas pequenas nem sempre sabem a procedência da madeira que compram. Vão pelo preço. Por isso, a participação do consumidor é importante”, comenta Bottura. Na dúvida, vale pedir o certificado.
Esperançoso sobre o avanço dos produtos sustentáveis, Bottura utiliza o próprio exemplo da cadeia moveleira, que ganhou muito dinheiro com base em desmatamento. “Hoje, enxergamos que é preciso preservar a floresta, replantar e dar sustentabilidade aos negócios. Somos um exemplo prático de que é possível mudar de atitude e manter os negócios lucrativos”, afirma.
Ele conta que a consciência ambiental está hoje entranhada na Riccó. Como investimento, ele trocou todo o telhado de sua fábrica por telhas ecológicas, pelas quais pagou 50% a mais. No seu caso, as novas telhas transparentes, reduziram o consumo de energia em 30%, tornaram o ambiente mais agradável e trouxeram um impacto positivo sobre a produtividade. “Pensar consciente é fazer a conta dos benefícios”, ensina.
Essa conta é o que move a indústria de telhados ecológicos. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, o custo inicial de coberturas ecológicas pode ser até 6,4 vezes maior do que os telhados convencionais, mas os benefícios ambientais e econômicos fazem o investimento valer a pena.
A diferença de preço está na necessidade de fazer uma revisão da estrutura dos telhados para propiciar a instalação de verdadeiros jardins na cobertura das casas. Os telhados ecológicos duram até duas vezes mais do que os tradicionais, uma vez que criam uma camada de proteção à radiação, isolando a estrutura dos efeitos de desgastes do sol. As plantas também propiciam o controle da temperatura, reduzindo os gastos de energia nos sistemas de ar condicionados. De acordo com um recente estudo canadense, divulgado pela Professional Roofing, a redução nos custos com a energia elétrica durante o verão pode chegar a 75%.
Segmento como o de móveis e construção tem de tudo para mudar a mentalidade em relação à sustentabilidade e educar o consumidor sobre o retorno do investimento. “A reutilização de material também é uma proposta desses segmentos. Nas construções de casas e móveis, é possível reciclar os resíduos”, comenta. Para complementar o segmento de construção, a indústria de móveis também aposta em projetos capazes de refletir mais luz, aproveitar espaços e gerar a economia de energia dentro de casa. Tudo é questão de pensar verde
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